O Projeto
Após algumas reuniões e reflexões da Entidade responsável por este Projeto e as Comunidades, sobre o tema Projetos na Comunidade, nas reuniões, para inicio das discussões, sempre era colocada a seguinte questão:
- Qual o maior problema do seu Bairro, de sua Escola, de sua comunidade?
Entre as respostas, umas que apontavam a insegurança e a falta de entretenimento, estrutura e projetos sociais, apareceu uma que fez todo refletir e dar uma boa risada:
- O maior problema é a gente.
-Esta resposta identifica na realidade o cerne da problemática e, acreditem, foi dada por uma criança de 9 anos. E ela tem razão. O maior problema é a falta de iniciativa e a determinação para elaborar os projetos, angariar voluntários, patrocínios para levar adiante as iniciativas.
Uma boa estrutura física é indispensável e fundamental para alcançar o resultado positivo de qualquer projeto.
Quanto mais se refletia sobre a resposta, mais ficava clara a passividade das pessoas em aceitarem os problemas como normais e indissolúveis, ou impossíveis de alcançar seus objetivos, ou a busca de soluções que nunca ficam à vista, pra problemas a enfrentar.
É comum ouvirmos ou nos referirmos às pessoas das comunidades como excluído, desclassificado, pobre, carente, vagabundo. Mas excluídos de quê e porque?
- Qual a classificação que não atingem?
- O que lhes falta tanto?
Parece que o problema não é a gente, mas está na gente, resultado das nossas carências sistemáticas e do preconceito e de nossa inércia.
SaciArte A música na Comunidade é um dos projetos da Oscip (1) Formiguinhas do Vale que pretendem atender as comunidades com a finalidade de inclusão social.Uma forma de inclusão a uma realidade cidadã, porque a realidade de uma comunidade não é simples e muito menos igual á da outra. A auto-estima e a fé dos moradores é constantemente abalada, pois muitas vezes são tratados, seja pelo poder público ou pela sociedade, com descaso, como se não representassem nada para o todo, o que é um grave erro.
O projeto organizado pelo Filipe de Sousa e administrado pedagogicamente pela Drª Elizete Rubio, tem a sensibilidade de tocar em algo que leva as comunidades para frente. O contato com a cultura popular, com aquilo que o povo criou de melhor, serve para provar, que ele tem história, passado e que essa história e esse passado continuam existindo, como elemento de identificação de uma sociedade, de um País e, que deles se devem orgulhar.
Um projeto de música desperta um grande interesse nos nossos jovens, eles gostam de participar de programas em que possam se expressar livremente. Nada melhor para tocarem a vida rumo à cidadania do que algo que mostra toda a sua força e beleza, quando todos estão unidos, que é a musica e as ações cênicas.
As linguagens artísticas são um território fecundo para a formação e mudança de consciências, pois na essência dessas linguagens se encontram as idéias. A música é feita de idéias, quando um músico executa uma composição, ele toca idéias e quem a ouve ouve idéias.
Há quem defina Arte como uma maneira especial de se falar com o outro, de se transmitir os conteúdos da consciência. Acreditamos ser importante para o desenvolvimento de um jovem, e não só, a possibilidade de se expressar e de ter contato com variadas formas de expressão e pensamentos, pois isso contribui na formação de suas concepções sociais, políticas e de mundo, SaciArte a Musica na Comunidade é um projeto que oferece aulas regulares de música a crianças, jovens, adolescentes e adultos.
Os instrumentos percussivos nas formas européias de música têm seu uso limitado à marcação do tempo e do ritmo o que já não acontece no Brasil.
O modelo europeu é o modelo hegemônico, sendo para muitos, o único aceitável, mas a cultura musical brasileira situa os instrumentos percussivos num outro papel, o de ser também responsável pela melodia, tendo na síncope a sua marca maior.
Paralelamente e aliando tradições locais, a musicalidade vai além e identifica outros instrumentos como violão, violino, violoncelo, flauta, piano, acordeon, etc. na composição do todo, na sua cultura. Mestres como os Maestros João Carlos Martins, Eleazer de Carvalho, Armando Prazeres, entre outros, além do Trio Amadeus ilustram bem essa relação, dos instrumentos percussivos com a instrumentação clássica, mostrando que a união dos acordes instrumentais, aliados a um bom conjunto de percussionistas, agrada ao público jovem e atrai milhares de pessoas em suas apresentações.
Valorizar a cultura popular significa valorizar o pensamento popular, sua forma de pensar, valendo para isso o inovar, o fazer diferente, como forma de atrair para o bem e para as causas sociais, nossos jovens.
Comunitariamente, o Maestro Armando Prazeres é um dos incentivadores desta relação musical, visto que sua incursão nas comunidades mais carentes do Rio de Janeiro serve como prova e, tem atraído grande público, ao reger e apresentar sua orquestra conjuntamente com as baterias de Escolas de Samba do Rio de Janeiro.
Os instrumentos percussivos ao fazerem parte de uma orquestra chamada clássica, ou de um conjunto ou grupo, exercem nessa apresentação, uma grande atração nos jovens; eles vêem nesses projetos uma forma clara de interação com a cidadania, com a arte e com a sua comunidade e se identificam.
Infelizmente as formas de interação em comunidades carentes são bem limitadas e, esse é um problema, que atrapalha na busca das soluções. Onde por vezes, se misturam interesses pessoais ou setoriais e, até políticos que dificultam o bom andamento de algumas iniciativas. Mas através do lúdico e com certo jogo de cintura, essas situações podem ser modificadas, mas, muita luta e muito esforço espera os incentivadores.
A poesia de Pablo Neruda é o fio condutor desse repertório arranjado para vozes, violão, violino, violoncelo e percussão. A sonoridade resultante da combinação das vozes e dos instrumentos acústicos, além da percussão, finalmente incorporada, consegue fazer das apresentações clássicas, um tema popular e muito Brasileiro.
O conteúdo das aulas é basicamente composto de ritmos brasileiros tradicionalistas, misturando o samba paulista a cantigas das culturas Moçambique e Folia de Reis, entre outras características de cada região. Para desenvolver a capacidade motora e de expressão corporal, aulas de dança farão parte do currículo além do conhecimento sobre culturas e tradições populares. A dança está intimamente ligada a forma de execução dos instrumentos percussivos, o Olodum e Afrorregae demonstram bem isso, estando bem ligados á nossa cultura e obtendo do público jovem grande aceitação.
Serão oferecidas uma vez por semana, inicialmente 80 (oitenta) vagas, sendo 40 (Quarenta) para o período matutino e 40 (Quarenta) para o período da tarde. Cada período abrigará duas turmas com 20 (vinte) alunos cada.
As turmas são divididas em dois níveis:
a) Iniciação Musical.
b) Instrumentalização
Acrescenta-se que este projeto tem em si uma função multiplicadora, incentivando outras Comunidades na busca de conhecimento e de apoio na constituição de novos grupos nas regiões abrangidas pelo Projeto Social Formiguinhas do Vale, a saber: Vale do Paraíba Paulista, Litoral Norte Paulista, Região Serrana da Mantiqueira, Região Bragantina e Região Alto do Tietê.regiões estas que compõem o Cone Leste Paulista.
Isso será propiciado, através de convites a serem feitos a todas as Escolas Públicas e Privadas, do Ensino Fundamental e Médio, das regiões abrangidas, para que agendem horários e relacionem as turmas, cuja função será a de aprender e, depois multiplicar o conhecimento em cada uma de suas comunidades.
Este projeto conta também com ampla divulgação através do jornal mensal Gazeta Valeparaibana, outro projeto da OSCIP Formiguinhas do Vale e do programa de rádio Raízes & Matrizes, que vai ao ar todas as Terças-Feiras das 10;00 ás 12;00 horas, com repetição ao Sábado no mesmo horário.
Filipe de Sousa
(1) – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público