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Mudanças climáticas provocam surgimento de novas doenças

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A degradação do meio ambiente está proporcionando o surgimento de novas enfermidades animais no mundo. Essa foi uma das conclusões tiradas na reunião do Comitê Internacional da OIE- Organização Mundial de Saúde Animal - da qual participou em Paris o paraibano José Saraiva Neves, integrante do Conselho Federal de Medicina Veterinária, além do Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda e Veterinários do Ministério da Agricultura e de secretarias de alguns estados do Brasil.

 
A situação zoossanitária no mundo e o controle das zoonoses são motivo de preocupação cada vez mais das autoridades internacionais. As mudanças climáticas, em sua maioria, reflexo da ação devastadora do homem, têm trazido conseqüências para a saúde pública, como o aumento da incidência de doenças como a dengue, raiva, brucelose, malária, tuberculose e as endoparasitores.
 
No Brasil, explica o Médico Veterinário José Saraiva Neves, se verifica que determinados tipos de agentes transmissores de infecções estão migrando das matas para as cidades. Isso explica o aumento de casos de leishmaniose, doença transmitida ao homem pela picada de um tipo de mosquito, e de enfermidades transmitidas por carrapatos. Zoonoses que até bem pouco tempo não se encontravam em alto grau nas zonas urbanas agora atormentam as autoridades de saúde.
 
Para estudar o impacto dessas doenças no mundo a OIE criou cinco Comissões Regionais. Uma delas, a das América que engloba América do Sul, América Central, América do Norte e França é presidida por um brasileiro.
 
Novas doenças infecciosas surgem atualmente a um ritmo sem precedentes, avisou a Organização Mundial de Saúde (OMS), apelando para uma melhor cooperação internacional para fazer face aos riscos sanitários de século XXI.
 
O documento apresentado em Genebra pela diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) exorta as autoridades de saúde internacionais a apostar na prevenção, monitorização e controlo de doenças que, segundo os especialistas, são fortes candidatas a fazer parte do grupo das epidemias.
Entre as doenças contagiosas que estão no topo das prioridades da OMS encontram-se a cólera, a febre-amarela e a febre hemorrágica.
 
No entanto, os novos riscos sanitários incluem não só as epidemias mas também doenças de origem alimentar, de acidentes ou de ataques químicos, biológicos ou nucleares, a poluição industrial e as mudanças climáticas "que podem pôr em risco a saúde de milhões de pessoas em vários países".
 
A OMS introduziu este ano um novo Regulamento Sanitário Internacional, aplicável nos seus 193 Estados Membros, que estipula a maneira como os países devem avaliar e notificar a OMS das urgências de saúde pública de nível internacional.
 
As mudanças climáticas terão efeitos indiscutíveis na saúde, como o aumento das alergias e doenças transmitidas por mosquitos, e o aumento de problemas intestinais ligados à falta de água, advertiram nesta sexta-feira (19) em Paris especialistas em clima e saúde.
 
"Em 2050, um em cada dois verões (hemisfério norte) se assemelhará à onda de calor de 2003", que na França causou a morte de milhares de pessoas, indicou o diretor da Agência Sanitária do Meio Ambiente e do Trabalho (AFSSET), Dominique Gombert.
 
Segundo ele, já é possível prever que o aumento das temperaturas durante o verão provocará um forte avanço da mortalidade entre as pessoas mais velhas, ou frágeis. Além disso, as ondas de frio serão mais intensas, inclusive mais mortíferas, acrescentou o diretor.
 
Poluição

 
Alguns poluentes - como as partículas finas -, também aumentarão, devido ao aquecimento global, acrescentou. "Serão mais precoces e permanecerão por mais tempo", explicou Gombert.
 
"Esta poluição terá os mesmos efeitos dos picos de poluição atuais, que geram um aumento das doenças respiratórias (bronquite, asma) e problemas cardiovasculares, assim como uma sensibilidade maior às infecções causadas por micróbios", advertiu.
 
O aquecimento global provocará uma redistribuição da vegetação no território: por exemplo, a oliveira tentará subir para o norte.
 
Além disso, acrescentou, as árvores com pólen se estenderão, e por isso os períodos com muito pólen vão aumentar, o que provocará mais casos de alergias, indicou.
 
Câncer

 
São previstos também outros problemas de saúde, como cânceres de pele, devido à intensificação dos raios solares, e o aumento das doenças como a febre tifóide ou a cólera, porque a água será mais escassa e mais contaminada, alertou.

 
O especialista ressaltou que, embora as ameaças dos efeitos do aquecimento planeta pareçam claras, as medidas para proteger a saúde das pessoas são menos evidentes.
 
Para reduzir os fatores de risco, será preciso desenvolver a cultura da "adaptação", mas essa meta se depara com dificuldades, como a falta de interesse dos médicos, afirmou outro especialista.
 
"O aquecimento global é um tema que interessa aos meios de comunicação, mas menos aos médicos", lamentou William Dab, professor da cátedra de Higiene e Segurança no Conservatório Nacional das Artes de Paris.
 
Segundo ele, as mudanças climáticas não são "um risco a mais", entre outros, e sim "uma mudança de escala do risco", dada a quantidade de pessoas expostas.
 
O Observatório Nacional sobre os Efeitos do Aquecimento Global (Onerc) sugere algumas formas de combater esses efeitos das mudanças climáticas na saúde, entre elas umas supervisão maior dos agentes infecciosos e da qualidade da água e do ar.
 
OMS alerta para aumento do risco de epidemias, doenças infecciosas estão se propagando

 
Doenças infecciosas estão se propagando mais depressa do que nunca, de acordo com o relatório anual da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com cerca de 2,1 bilhões de pessoas viajando de avião todos os anos, há um grande risco do surgimento de outras grandes epidemias como aids, Sars ou febre de Ebola.

 
A OMS pede mais esforços para combater surtos de doenças e que sejam compartilhados dados sobre vírus para ajudar a desenvolver vacinas. Em um relatório intitulado
Um Futuro Mais Seguro,
a entidade diz temer que a falta de ação no combate aos surtos possa ter um impacto devastador sobre a economia global e a segurança internacional.
 
Segundo a OMS, novas doenças estão surgindo em um ritmo "
historicamente sem precedentes
" de uma por ano. Desde a década de 70, 39 novas doenças se desenvolveram e, só nos últimos cinco anos, a OMS identificou mais de 1,1 mil epidemias, incluindo cólera, pólio e gripe aviária.
 
"Seria extremamente ingênuo e complacente pensar que não haverá uma outra doença como a aids, uma outra Ebola e outra Sars, mais cedo ou mais tarde", diz o relatório. Compartilhar dados médicos, habilidades e tecnologia entre nações ricas e pobres é "uma das rotas mais viáveis" para segurança sanitária, afirma.
 
A OMS está envolvida em uma disputa com a Indonésia em relação a amostras do vírus H5N1, que provoca a gripe aviária. O governo indonésio se recusa a compartilhar suas amostras com a OMS em meio a temores de que empresas farmacêuticas usem esses vírus para fabricar vacinas que sejam caras demais para aquisição pela Indonésia.
 
O relatório da OMS também pede aos governos que sejam mais transparentes em relação a surtos de doenças, dizendo que quase a metade de todos os alertas que recebe chegam pela imprensa.
 
Resistência a medicamentos também representa uma ameaça para o controle de doenças, de acordo com a OMS, que culpa o mau uso de antibióticos e tratamento médico ruim pelo problema, destacando o caso da tuberculose.
 
Na introdução do relatório, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a cooperação é crucial para combater surtos.
 
"Dada a vulnerabilidade universal de hoje a estas ameaças, a melhor segurança é a solidariedade global", afirmou Chan. "
Segurança internacional de saúde pública é tanto uma aspiração coletiva quanto uma responsabilidade mútua
."
 
Brasil, Argentina, Canadá, México, Peru e Estados Unidos são mencionados como exemplos de países que já criaram Centros de Operação de Emergência que os permitirão concentrar informações sobre epidemias e coordenar uma resposta a uma situação real ou potencial de emergência sanitária.
 
O Brasil também é mencionado como o primeiro país em desenvolvimento a fornecer terapia antiretroviral para a AIDS através de seu sistema público de saúde.
 
O Código Florestal, as mudanças climáticas globais e a saúde da população

 
Nesse momento, em que o País assiste ao embate entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério do Meio Ambiente, em torno da necessária reforma do Código Florestal, vale a pena esclarecer sobre alguns aspectos sutis desse preceito legal, que colocam em risco outros mecanismos legais de garantia de qualidade de vida para a população.

 
Especificamente, a questão da manutenção de Reserva Legal e as questões envolvendo mudanças climáticas globais com aumenta da temperatura, e sua conseqüência para o espalhamento de doenças e epidemias.
 
 
O objetivo maior dessa estratégia é estabelecer uma convivência harmônica e pacífica entre a natureza e as atividades econômicas, que permitam ao ser humano suprir suas necessidades básicas sem atentar contra a qualidade de vida, fim maior de toda atividade humana.
A população mundial tem crescido, e algo entre 1,5 e 2,5 bilhões de pessoas vive diretamente dentro ou nas redondezas, de imensas áreas "nativas", principalmente nos trópicos. População essa que tem um crescimento de 3,1% anual (ITTO, 2005).
 
A transformação desses ambientes é resultado das mudanças que ocorrem em toda a sociedade. O avanço tecnológico da melhoria genética de plantas e animais, o sucesso mundial de algumas espécies em decorrência desse fator (soja, milho, algodão, gado etc.), a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais ou desenvolvimento urbano são alguns exemplos.
 
Somente durante a última década, foram reconhecidas numerosas doenças infecciosas novas, emergentes e re-emergentes. As principais causas apontadas para isso são: mudanças nos estilos de vida, cidades muito populosas, modificação no processamento de alimentos e, a mais importante para o Brasil, a chegada de pessoas em partes remotas do globo, como a Floresta Amazônica.
As mudanças globais, não somente as climáticas envolvem processos que ocorrem independentemente, mas estão intimamente interligados. Para o Brasil, o desafio de adaptar-se a modificação das zonas climáticas aumenta, dado o elevado nível de pobreza encontrado no País, que se encontra altamente suscetível ao aumento do alcance e da ocorrência de doenças.
 
É preciso alavancar as atividades necessárias a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, permitir o crescimento econômico, gerar interesse na iniciativa privada, propiciar a adaptação das legislações estaduais e municipais e distribuir de forma mais justa os resultados dessas atividades, através de modelos democráticos.
 
As mudanças climáticas globais, que tem interface com a atividade florestal, aumentam os problemas relacionados a incidência de pragas e doenças, que podem ter benefícios do aumento das temperaturas globais, seja pelo aumento da sua propagação, seja pelo stress resultante no meio.
 
A reserva legal e a área de preservação permanente são parcelas das propriedades rurais, dedicadas à manutenção da qualidade de vida e equilíbrio ecológico, contribuindo para cumprir as funções sociais destas.
 
Como conseqüência da implementação desses dois preceitos legais, da reserva legal e área de preservação permanente, dentro da estruturação das propriedades rurais, temos a convivência contínua de dois cenários: de um lado as atividades agropecuárias (e mesmo florestais) e do outro as populações silvestres, de plantas e animais.
 
Com as mudanças climáticas, altera-se o comportamento de mamíferos, répteis, pássaros e insetos, que emergem mais cedo de seus abrigos, e acabam caindo vítimas de frio ou umidade, prejudicando e matando principalmente os indivíduos mais jovens. Sair dos períodos de recolhimento, ou nascer, mais cedo, é muito perigoso para esses animais A falta de alimentos e de reservas torna a situação ainda mais delicada (KIRBY, 2007).
 
Existem duas classes de doenças relacionadas com as áreas verdes. De modo geral, o primeiro é a das doenças não-comunicáveis, o segundo das doenças transmissíveis.
 
A primeira classe está relacionada com a perda de áreas verdes, que leva a uma mudança de hábitos na população. São doenças crônicas e que acometem milhões de pessoas pelo mundo, como, por exemplo, a obesidade.
 
Planejar melhor as cidades, orientando o seu crescimento para manter áreas destinadas a diminuir o stress da vida moderna, ajuda a conter o avanço destas doenças.
 
A segunda classe está relacionada com a presença da vida silvestre, que leva a uma mutação nos microorganismos. São doenças contagiosas, que acometem milhões e podem ser facilmente transmitidas por toda a população, como, por exemplo, a gripe aviária.
 
Essas doenças participam de uma co-evolução com os hospedeiros, defesa. Quando encontram áreas de cultivo, criações domésticas ou populações de humanos, esses microorganismos passam a dispor de uma vasta quantidade de hospedeiros que não participaram dessa co-evolução. As mudanças climáticas poderão aumentar a proporção da exposição mundial a doenças como dengue e malária de 35% a 60% até o ano 2085.
 
Os insetos provaram ser altamente adaptáveis, com capacidade evolutiva de conviver com uma variedade de mudanças ambientais, incluindo as relativamente recentes mudanças climáticas globais, que estão levando ao aumento de suas populações totais.
 
Além de adaptar-se ao clima mais quente, os insetos aumentam seu número de descendentes, com graves e amplas implicações para o agronegócio, a saúde pública e mesmo a conservação da natureza (STRICHERZ, 2006), passando a ter a capacidade de eventualmente, virem a alterar ecossistemas inteiros. Com uma população estima de 15 milhões de insetos diferentes no Brasil é evidente o potencial de proliferação de doenças nesse ambiente.
 
Os mosquitos são especialmente utilizados pelos micróbios, antes do sistema imunológico ter a capacidade de identificá-los e iniciar as suas defesas (DIAMOND, 2005), e são seletivos, atacam determinadas pessoas e as outras utilizam somente como vetores. 70% dos antibióticos utilizados no mundo civilizado são aplicados em animais de criação (gado, porcos, carneiros, cavalos etc), simplesmente para promover crescimento ou prevenir contra infecções.
 
Dentre os micróbios os com maior potencial para atingir os humanos, estão também os mais abundantes nas "selvas tropicais": as bactérias e os vírus. Uma única bactéria pode gerar 280 bilhões de indivíduos em um único dia (de DUVE, 2005).
 
A cada uma, de suas milhões de divisões, elas geram "mutantes", que podem tornar-se hábil o suficiente, e para resistir ou "enganar" os antibióticos que a destruiriam, com uma vantagem muito importante: as bactérias dividem informação umas com as outras.
 
Qualquer bactéria pode "capturar" informação genética de uma outra, o que na prática significa dizer que a nova mutação vai se espalhar tão rápido quanto elas se reproduzem para todo o universo de seres existentes em um determinado local, e elas estão em eventualmente "todos" os lugares.
Novas e ameaçadoras viroses aparecem todo o tempo. Ebola e a febre Marburg, têm tido esse comportamento de surgimento e desaparecimento rápido. Ninguém pode dizer com segurança se elas estão testando novas formas mutantes ou simplesmente esperando pela oportunidade ideal para se espalharem por todo o mundo.
 
Outras doenças que surgiram ou reapareceram recentemente são: Dengue; Rotavírus; Parvovírus; Cryptosporidium parvum; Legionella pneumophila; Antivírus; Campylobacter sp; Vírus Linfotrópico; Staphylococcus taxin; Escherichia coli; HTLV II; Borrelia burgdorferi; HIV; Heliobacter pylor; HHV-6; Ehrlichia chafeensis; Hepatite C; Guanarito; Vibrio cholerae 0139; Machupo; Junin; Rocio; Rift Valley; Listeria monocytogens; Sabiá; Morbilivírus; Haemophilus influenza. Existem ainda pelo menos outros 200 patógenos descobertos a partir de 1996 de maior ou menor risco para a saúde humana.
Em 1997 o vírus H5N1, que supostamente só atacava pássaros, começou a infectar pessoas, transformando-se no primeiro caso conhecido de seres dessa natureza.
 
A chamada "Gripe do Frango" causou a morte de diversas pessoas em Hong Kong que contraíram a doença. O que fez soar o alarme sobre a doença, que continua extremamente ativa (OMS, 2005).
 
A preocupação é que a nova forma de infecção, de um ser humano para outro, possa formar a base de uma nova ameaça global.
 
Fontes: G1 – Portal Terra – Paraná – online